O que é o Transtorno de Personalidade Borderline (TPB)
O Transtorno de Personalidade Borderline (TPB) é um transtorno da personalidade que tem como característica central a dificuldade de regular as emoções de forma efetiva. Em geral, os sintomas começam na adolescência ou no início da idade adulta. Afeta cerca de 5,9% da população adulta em algum momento da vida.
Embora pessoas com TPB possam ser altamente funcionais em algumas áreas, a vida pessoal costuma ser muito turbulenta. A maioria tem dificuldade para regular pensamentos e emoções e para controlar impulsos, o que leva a relacionamentos bastante conturbados.
A presença de outros transtornos, como depressão, transtornos de ansiedade, transtornos alimentares, transtornos por uso de substâncias, transtorno afetivo bipolar e outros transtornos de personalidade, é frequente em pessoas com TPB. Muitas vezes, inclusive, pessoas com TPB recebem por engano o diagnóstico de transtorno bipolar, por causa da instabilidade constante do humor. O transtorno de estresse pós-traumático também é comum, já que muitas pessoas que desenvolvem TPB passaram por múltiplos traumas ao longo da vida, além de abuso físico, emocional e sexual.
Por muitas décadas o TPB foi considerado intratável, e ainda hoje provoca as mais diferentes reações em profissionais de saúde mental. Embora existam há mais de 20 anos tratamentos especializados com evidência científica de eficácia, como a DBT, muitos profissionais ainda desconhecem essas técnicas. E muitas pessoas que sofrem com esses problemas não sabem que têm um problema de saúde mental, nem que existe, sim, esperança de melhora. A DBT é hoje considerada o tratamento padrão-ouro, com um corpo robusto de evidências de eficácia para pessoas com desregulação emocional.
Marsha Linehan, criadora da DBT, considera que três características biológicas contribuem para a vulnerabilidade de desenvolver TPB: alta sensibilidade (reação imediata, a estímulos de baixa intensidade), alta reatividade (tendência a viver as emoções de forma muito intensa) e excitação de longa duração (dificuldade de voltar rapidamente ao estado emocional de base). Associado a isso, as pessoas que desenvolvem TPB em geral cresceram em um ambiente invalidante, em que pais ou cuidadores falharam de forma repetida e persistente em responder às suas emoções e às expressões delas. A teoria biossocial, formulada por Linehan, mostra que o TPB resulta dessa combinação entre vulnerabilidade biológica e ambiente invalidante.
O tratamento do TPB é multimodal e, na maioria das vezes, envolve mais de um profissional: medidas farmacológicas, terapia individual e grupos de treinamento de habilidades, além de sessões de coaching telefônico para generalizar as habilidades aprendidas.